35-DESVIO DA NATUREZA
DESVIO DA NATUREZA No plano de Deus está consagrado que a mulher conceberá e dará à luz, com as dores do parto, um rebento representante do mistério da Criação; também está escrito que ela velará por seu filho no sentido da sobrevivência saudável, para que se dê a preservação da espécie. A natureza, entretanto, sofre eventuais desvios de rota no exercício de funções essenciais. Agora mesmo, noticia-se que, há uns dias passados, em Governador Valadares, MG, uma adolescente de 17 anos escondera a gravidez durante os nove meses de gestação e, ao parir o nascituro às escondidas, levou o nenem, juntamente com o pai do recém-nascido, para um matagal ermo; alí, cavaram uma cova rasa e enterraram vivo o bebê, fruto de uma relação amorosa proibida e secreta. Os familiares da moçoila desconfiaram da menina que chegou em casa com manchas de sangue nas vestes e carinha de assustada; apertaram, então, a filha num emocionado interrogatório e, afinal, ouviram uma comovente confissão de união ilícita seguida de prática de delito contra a vida do fruto do próprio ventre. Diligentes, os pais da moça conseguiram que ela os levasse até o local do enterramento e lá, por milagre, lograram resgatar a criancinha ainda com um fio de vida. O bebê permanece internado, inspirando ainda cuidados intensivos, porém, alimentando, muito forte, a esperança de que venha a sobreviver. Enquanto se comentam os fatos, colocamos em foco a hipótese de a parturiente ter agido num estado de alienação mental produzido pela psicose puerperal, condição episódica possível de ocorrência na gravidez, no parto e no pós-parto; após o delivramento (expulsão da placenta e das membranas fetais depois da saída da criança de dentro da mulher), a nova mãe passa a ser dominada por um estado anormal de consciência e passa a agir sob o domínio de plena insensatez, a ponto de negar, temporàriamente, a lei superior da proteção que a mãe deve dar a sua cria. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM - SP 7629 cortesdi@ig.com.br
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