16-CARNAVAL
CARNAVAL O termo carnaval, de origem italiana, carnevale, significa festejos que precedem a Quarta-Feira de Cinzas. É também chamado de entrudo, folia, folia de Momo e orgia; é uma festa eminentemente popular, de massa, anual, com duração de três dias seguidos. O tríduo momístico (três dias de Momo, o Rei da Folia) termina na terça-feira, chamada de gorda, que antecede imediatamente o dia de contrição e penitência em que, a cruz de cinza da palma é riscada na testa como confissão e punição do pecado da carne, cometido na volúpia da orgia. Toda essa condenação é, em parte, derivada da lembrança dos acontecimentos da Idade Média, quando festividades profanas dominavam o povo durante muitos e longos dias, deixando um rastro de desordem e quebra de regras morais da época. A noção de festividades pecaminosas é tanto mais entendida assim como quando se observa que , além da confissão pública do pecado na Quarta-Feira de Cinzas, o povo se submetia, em seguida, a uma rotina penitencial de missas extraordinárias durante toda a Quaresma; durante quarenta dias, até o Domingo de Páscoa, havia sermões condenando os exageros do prazer exortando o povo ao decôro, ao comedimento, à reflexão e à fé. O espírito progressista da religião se fez bem mais flexível desde há algum tempo quando a sociedade reclamou para si o direito ao lazer na época històricamente propícia: a religião e a sociedade selaram um pacto de compreensão vantajoso, entendendo de pare a parte, que o carnaval tem seus excessos danosos à ordem social como terá qualquer outra festa de caráter popular; que pessoas mal intencionadas podem perturbar os mandamentos legais ou religiosos, mas isso não acontece apenas no carnaval, mas sim, em qualquer festa de multidão. Na verdade, o carnaval em particular, nada tem a ver com o pecado, nem com a carne, nem com a lascívia; o carnaval é, antes de tudo, um mergulho na fantasia maravilhosa do "você me conhece?", da máscara horrível e assustadora bem como a fantasia de Branca de Neve. É a festa principalmente do folguedo antiestressante e uma volta à infância; a pessoa fica criança outra vez e folga, e diverte-se e brinca desconhecendo a faixa etária a que pertence e expõe, sem cuidados, a criança que existe dentro de todos nós. Onde você vai pular este ano? Onde você vai brincar nesse carnaval? Já comprou a lança-perfume? Onde vai rasgar a fantasia? Estas e outras similares são todas expressões do espírito da criança alegre na prática da sua atividade máxima que é brincar. O povo e a religião decretaram a canonização do carnaval e, apenas apelam para que brinquem, como crianças, mas com as sadias limitações do bom senso. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM-SP 7629 cortesdi@ig.com.br
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