08-O BAILE
O BAILE
 <BR>O baile se caracteriza pelas seguintes condições, entre outras: o salão, as pessoas, a música e a dança. O salão deve ser um ambiente agradável, bem ventilado, com piso sem reentrâncias nem saliências; não deve ter enceramento em excesso pois os dançarinos podem escorregar e serem vítimas de tombos com lesões e fraturas. As pessoas normalmente vão ao baile levando alegria contagiante, animadas por uma disposição para interagir com outras pessoas e com grupos; buscam, o relax necessário à descontração; pretendem recarregar as baterias para cumprir as jornadas dos dias seguintes. A música, que precisa, em tese, ser dançante ou dançável, quer dizer, ter ritmo adequado e batida facilmente perceptível, para marcar os passos na prática do bailado. Por último, a própria dança, que é o exercício de psicomotricidade amplo , objeto de terapia psicológica para vários males. É a dança uma atividade da maior valia no espairecer, no relaxar e no melhorar, e até curar, diversos estados doentios. Tanto a música quanto a dança acompanham o homem desde tempos imemoriais. No curso de eras históricas, e até pré-históricas, a música e a dança representam uma substância constitucional do homem. É assim que vemos no baile a exposição mais autêntica da natureza humana, visto que música e dança fazem parte da massa de todos nós. É nos salões que encontramos a verbalização das dificuldades situacionais pelas quais passam as pessoas. É em bailes que interpretamos os mais variados papéis, é ali que expres- samos nossos desejos íntimos de agradar ou conquistar, de aparecer ou manter-se reservado, numa liberação bem genuína do nosso mais recôndito sentimento. É na festa com os demais partícipes que revelamos nossas ambivalências ou inseguranças, nossas vocações artísticas, a queda para a música e para o bailado, para o deleite, a paz e o congraçamento que reúne num só regime de vivência as diversas cores, raças, credos e idéias. É no baile que as pessoas se realizam na plenitude da fraternidade, onde todos pretendem se amar e alcançar através da franca solidariedade e do folguedo sadio, a experiência divina de elevação espiritual a espaços de alta sublimidade, onde o ser humano se mistura com os deuses. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM-SP 7629 cortesdi@ig.com.br
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