111-A Força da Lei
 A queixa daquele dia era esta:
a incapacidade de se negar a comparecer a festas e reuniões para as quais um parente o convidava.
Procurava, assim, não ofender com uma negativa a reiterada gentileza de quem o convocava já tão certo de que seria atendido.
Ao invés de dizer: obrigado, mais não estou com vontade de ir, ele se agride com a aceitação daquilo que não queria fazer. Constrangido, comparece com o aspecto de "tudo bem" enquanto que, no seu íntimo, o coração aperta com o desconforto do desprazer. Esquece de que somos obrigados a fazer ou deixar de fazer alguma coisa somente em virtude da soberana lei.
Por exemplo, um dia de sol escaldante seria gostoso desfilar na Avenida Paulista sem roupa mas não fazemos isto, inclusive porque o flagrante agravaria o rigor da prisão.
Fora isto, muitas vezes atendemos ao que não queremos com o prazer da conveniência ou da gratidão que devemos a alguem; aqui, não ocorre malestar nem desgosto porque a ação é resultado de uma decisão consciente e prazerosa.
Wilson Ayres Côrtes
CRM - SP 7629

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