109-A VONTADE VALORIZADA
 
A VONTADE VALORIZADA
Numa folha de jornal, estampa-se a frase do exigente e retilíneo Immanuel Kant: "Em um lugar de desordem, seja o centro da ordem".
Assumir tal pretensão seria peso demais para homens comuns; fica muito sofrido carregar o peso do tipo modelar, do indivíduo exemplar. do padronizador do comportamento alheio.
Entretanto, seria de toda conveniência aceitar o voluntarismo do propósito para combater com uma vontade estruturada a habitual "cervejinha" logo após a saída do serviço. A alta filosofia fica,
assim, aplicada ao rasteiro cotidiano.
O grupo de amigos forma uma entidade muito forte capaz de induzir cada indivíduo de per si a comparecer, em determinado horário, no bar do Maneco.
Mesmo recriminando-se por não ser este o desejo individual, a pessoa se submete á pressão do grupo e, ao final, se alcooliza com a aparente inocência da "cervejinha".
Depois da reunião, dirige o carro até em casa onde é recebido com a costumeira "cara feia" da esposa; entenda-se: além de direção perigosa com todas as suas danosas possíveis consequências, a iminência de desorganização do próprio lar.
Melhor será adotar uma postura kantiana, desenvolvendo uma estratégia que leve à capacidade de expressão da sua vontade de acordo com sua conveniência. Para isso, não é obrigatório inimizar-se com o grupo, bastando, para tanto, o emprego de uma tática de sincera diplomacia.
Continuar bebendo cerveja, que é uma bebida alcoólica, quando assim o desejar, conforme com sua vontade e na hora e nas condições de seu interesse; isso até poderá acontecer também em grupo.
Wilson Ayres Côrtes
CRM-SP 7629

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