106-Morrer é Viver
Morrer é Viver
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O espiritualista acredita na existência do espírito. Enquanto se vive a vida terrena, temos um corpo físico com uma estrutura perfeita e um funcionamento maravilhoso.
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Essa esplêndida máquina não existiria se não houvesse um construtor, sendo que a natureza da estrutura e seu funcionamento exigiriam a ação criativa por parte de um sêr inteligente e infinito.
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A vida vegetativa e a vida de relação se mantêm em virtude de uma energia que se desloca de regiões do cérebro, onde vai prevalecer a atividade do sistema límbico. O sistema límbico seria uma região da base cerebral com a aparente função de vincular o homem às misteriosas forças divinas.? O sistema límbico e regiões afins são carregados de uma energia eletroquímica facilmente constatável pelos aparelhos comuns de laboratório.
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Aliás, essa eletricidade nós vemos de modo trivial e popular, nos eletros clínicos: eletrocardiograma e eletroencefalograma.
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Nosso cérebro é uma bateria que recebe energia continuamente. Essa energia vem lá do alto e nos mantém vivos; enquanto vivos, nós nos desenvolvemos até que, ao final, morremos.
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O corpo, então, se decompõe.
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A mente não se decompõe. Ela é essência, é repositório de um aprendizado de anos e mais anos de vida; a mente é a resultante moral da vida material.
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A mente é o espírito. É imortal.
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Quando alguem morre, morre a estrutura, torna-se desnecessária a fisiologia. Mas as aquisições éticas, morais, religiosas, científicas, escolares, relacionais, estas vão conformar um cabedal abstrato pleno de energia cósmica que mantém a sua individualidade: é o espírito.
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O espírito é o atestado de que morrer é mudar do estado material para o estado de espiritualidade. O corpo, que era pó, retorna a ser pó e a mente que é espírito vai descansar em paz.
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Wilson Ayres Côrtes
Médico Psiquiatra
CRM-SP 7629

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