88-Querer é poder.

Querer é poder. Quantas vezes ouvimos esta sentença, não é? Ela é sempre dita na boa intenção de elevar nosso ânimo no sentido de fazer com que tomemos uma certa decisão. Nossa sensação de incapcidade é surpreendida pelo nosso interlocutor que fala de modo determinante: querer é poder!
 
Muitas vezes nos iludimos com tal assertiva, embarcamos na canoa da filosofia voluntarista e nos pegamos navegando no mar da esperança, olhos fixos no horizonte da felicidade.
 
Mas, lá prá frente, a embarcação começa a fazer água e, então, somos obrigados  a reconhecer que querer é desejar e poder é ter possibilidade; são situações estanques que apenas se tocam pela cauda.
 
Constatamos, debruçados nos fatos, que querer é escolher e decidir que pretende; mas será que estamos em condição de possuir? Nossa capacidade de compromisso  é suficiente para vencer o tempo?                   
 
 
É essa verificação que muitas vezes nos faz renunciar; a renúncia é um ato heróico segundo o qual desistimos daquilo que pretendíamos porque infelizmente não temos capacidade de assumir de modo consistente.
 
A renúncia é a consequência de se ter admitido, por força da realidade que, mesmo querendo, nem sempre podemos ou quase nada podemos.
 
Wilson Ayres Côrtes
Médico psiquiatra
CRM-SP 7629
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