80- CIÚME

  
O ciúme é geralmente considerado um estigma para a maioria das pessoas. Em todas as enquetes que chegaram a nosso conhecimento, os entrevistados negam as ciumadas ou se referem a isto como justificado pelas circunstâncias do meio e do momento. O difícil mesmo é alguém se confesar ciumento porque designa o ciúme como sendo um sinal de inferioridade.
 
Mutas pessoas, diante de seu acesso de ciumagem, procura explicar isto com o fenômeno psicológico da racionalização, a qual se exerce através de uma explicação circunstanciada de supostas razões objetivas reais quando realmente as verdadeiras razões são subjetivas, quer dizer, os motivos de fato estão dentro de sua própria cabeça, dentro de seu emaranhado emocional ou de seu sentimento de insegurança.
 
Ao final, ninguém quer assumir a condição de ciumento, lançando sôbre o ambiente ou sôbre os outros, a culpa de suas cismas. Mas. a visão psicológica atual começa a considerar o ciúme como um sentimento perfeitamente normal. Aurélio Buarque de Holanda (Dicionário da Lingua Portuguesa) diz que o ciúme é zêlo amoroso que funciona como uma emulação, isto é, faz que o amante zele e passe a cuidar com maior dedicação da pessoa ou coisa objeto de seu amor.
 
Sente-se nessa visão psicológica que o ciúme é inerente ao ser humano e, a partir daí, ninguém precisa se sentir acanhado ou obrigado a usar falsas racionalizações para tentar justificar seu sentimento.
 
Antoine Porot (Dicionário de Psiquiatria) diz que o ciúme é normal e que representa papel necessário à vida em sociedade pois procura preservar a manutenção do bem por meio de cuidados especiais.
 
O patológico no ciúme é o excesso que se concentra na relação como numa peçonha que envenena o amor. O zêlo exagerado sufoca a vivência do amor, despersonaliza, martiriza e desune o casal; o desvêlo excessivo transborda o nível da paciência e faz sofrer a ambas as pessoas envolvidas no romance;passa-se do ciúme normal para a desconfiança, a agressividade e o desrespeito. Nesse ponto é bom parar e separar sob pena de a ligação amorosa se tornar uma via crúcis infernal e interminável. Outro caminho seria uma tentativa de tratamento com psicoterapia ou então dar um tempo, mas um tempo bem longo mesmo.
 
 
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