59-MANIA DE COMPRAR
MANIA DE COMPRAR consulta com o psiquiatra é feita pelo esposo que esclarece não ter > sintomas mas, sòmente uma queixa: sua mulher está gastando demais com coisas > desnecessárias, de modo incontrolável; a contabilidade familiar revela, ao > final de cada mês, um balanço deficitário. > O saldo negativo da conta bancária começou pequenininho e era sempre > atribuido a um simples descuido no gerenciamento da economia doméstica. > Os meses subsequentes foram se tornando um longo pesadelo com débitos > crescentemente volumosos no cartão de crédito e devoluções constrangedoras > de cheques sem fundo. > O diagnóstico estabelecido pelo psiquiatra foi plural: dor de cabeça no > marido, emagrecimento nas finanças e oniomania na esposa. > Essa entidade clínica é muito comum em pessoas predispostas que estão sob > tensão emocional mas a base principal do distúrbio de comportamento reside > na química cerebral que sofre uma alteração funcional capaz de produzir, por > consequência, atos obsessivo-compulsivos relacionados a compra patológica de > coisas que, muitas vezes, são simplesmente desnecessárias; a pessoa compra > apenas por comprar, sem programação, sem consciência clara, comandada por um > impulso indomável; realizada a compra, a pessoa se sente aliviada do > estresse e da angústia que a dominavam e passa, por outro lado, a sentir > remorso, com sentimento de culpa e remordimento; o sofrimento seguinte é a > expectativa ansiosa da crítica e repreensão dos parentes e amigos, > rebaixando cada vez seu astral e empurrando para o fundo do poço sua > auto-estima. > Nos dias seguintes, novas crises de angústia e ansiedade criam > a obsessão que volta e impulsiona novamento a sua vítima para novo > ritual de compulsivas transações para obter objetos sem serventia imediata e > novo ciclo de culpa, arrependimento e depressão volta a dominar a pessoa. > Trata-se de uma doença chamada de oniomania, mania que exalta a compra > compulsiva de modo imperioso e que subjuga a sua presa num remoinho de > sofrimento atroz para a própria oniomaníaca, para suas finanças e para seus > familiares. > Há que se indicar medicação (farmacoterapia) associada a uma psicoterapia > persistente, porém fora do consultório é exigível um acompanhamento em > regime de vigilância nas andanças da paciente nas suas investidas a > shoppings e casas de moda. Uma amiga de confiança ajuda bastante nessas > horas. > Ao lado disso, muita compreensão e gestos de estímulo para que se consiga > superar uma doença que vem se tornando cada vez mais frequente, maltratando > a alma da pessoa e desestabilizando o seu lar. Wilson Ayres Côrtes Médico Psiquiatra CRM - SP 7629
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