58-MEDITAÇÃO
MEDITAÇÃO Nossos pensamentos estão cheios de significados aprendidos no convívio com nossos pais e nossos professores; as pessoas com valência ou afinidade familiar ou social de importância transmitem para todos nós as noções das coisas que ficam impressas na mente. O material colhido no curso de nossa existência vai determinar uma diretriz de raciocínio e uma estrutura de sentimentos. Nosso cabedal intelectual recheia o nosso pensamento com muitas concepções preconceituosas que inibem o nascimento de uma ideação renovada; é tudo uma repetição em cima de uma base tradicionalista que impede a inovação. Refletir é exercitar o pensamento demorado sôbre certo assunto, examinando coisas e idéias sob vários ângulos e estabelecendo juízos. É um trabalho da esfera cognitiva (intelectual). A contemplação é a dedicaçõ de longo tempo na observação sentimental de alguma proposição ou coisa, sem julgamento, permitindo-se ficar embevecido diante do estímulo externo. Êste labor pertence à área afetiva. Em terceiro lugar, é de se falar da meditação, ato milenar que desde muito antes do nascimento de Jesus Cristo, já era praticado pelos povos essênios e depois, em várias ordens do tipo rosacruz e maçonaria. Foi a meditação atividade exclusiva de organizações religiosas ou filosóficas durante muito longo tempo. Hoje porém é uma das peças do arsenal psicoterapêutico aplicado ou indicado nos estados de sofrimento psíquico ou moral das pessoas. Freud já falava na atenção flutuante que, dirigida para dentro de si mesmo, leva à desconsideração dos preceitos tradicionais arraigados para permitir a liberação do espírito no aprofundamento da alma até zonas do infinito do eu; não se deve confundir meditação com reflexão nem com contemplação que ligam o homem ao exterior com repercussões no interior; a meditação é um mergulho de dentro de si para a própria profundidade de si mesmo, com possibilidade de alcançar a divina infinitude cósmica. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM - SP 7629
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