56-Estado crepuscular
Estado crepuscular Estado crepuscular Aconteceu na década de 70: um paciente deixou de tomar o remédio alegando, perante a família, o fato de estar, no momento, sem sintoma. O resultado disso é que êle perdeu a clareza da consciência, "saiu do ar" e passou a caminhar a esmo. Sumiu da Cidade de Santos e, depois de dias de providências de policiais da Cidade, o senhor A. L. foi encontrado esmolambado, sujo e malcheiroso, nas sarjetas de Belo Horizonte, MG. Recambiado para o seio da família, na cidade de origem, êle afirmou que "não sabia de nada", nem por que foi, nem como foi, nem como veio de volta. A reinstalação do esquema terapêutico o fez voltar à lucidez em cinco dias. É de chamar-se a atenção para a felicidade que foi a polícia santista ter logrado êxito na ação desencadeada; porém, infelizmente, na maioria das vezes, portadores de desordens mentais podem migrar à toa para rincões os mais inconcebíveis e jamais serem resgatados. Outro caso em que a Central Policial de Santos foi vitoriosa, se refere a um senhor em tratamento psiquiátrico que sumiu misteriosamente. Êle, M. A. D., foi encontrado em Porto Alegre, RS, em precárias condições de saúde física com as plantas dos pés sangrantes, em carne viva. Os policiais lhe perguntaram por que êle fez aquilo, de fugir do seu lar, ao que êle respondeu: "eu não sei de nada!". Foi trazido à força, alheio às circunstâncias. Ambas as pessoas, escolhidas entre numerosos casos da crônica psiquiátrica, sofriam de distúrbio elétrico cerebral sem convulsão obrigatória; trata-se de um tipo especial de epilepsia com eletrencefalograma alterado mas tendo comportamento aparente considerado normal. Essa espécie de desordem neuropsiquiátrica se revela por acessos de ofuscamento da consciência, que fica em estado crepuscular, tipo nem de dia, nem de noite, mas ou menos consciência, mais ou menos inconsciência, com movimentação geral mista de atos psicomotores alternativos, fazendo coisas certas de mistura com coisas erradas (automatismo psicomotor). Sob o domínio dêsse estado crepuscular da consciência e sob o império de automatismo psicomotor, o indivíduo fica sujeito a exercer conduta inadequada, reprovável e até criminosa. Paciente sob tratamento neurológico ou psiquiátrico, jamais poderá suspender a medicação antes de consultar e obter a orientação do seu médico assistente. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM-SP 7629
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