50-O GATO SENSITIVO
O GATO SENSITIVO No início do mundo foram criados o céu e a terra; depois, apareceram os peixes na água e outros animais na terra; êstes animais terrenos viviam em posição horizontal - répteis, por exemplo - e sua relação com o mundo era, em grande parte, dependente da visão associada ao faro; o centro de inteligência dos animais ficava numa região do tipo rinencefálico (rino, nariz e encéfalo, cérebro); essa área, o chamada nariz cerebral, era muito evoluida, sendo que o olfato era que dirigia e orientava o comportamento do animal. O rinencéfalo - cérebro reptiliano - permanece em nós como lembrança do primitismo evolucionário; êsse cérebro primitivo ficou no homem como animal de postura ereta e é descrito no Larousse Cultural como o conjunto de estruturas nervosas situadas na face interna e inferior dos hemisférios cerebrais com a função de manter o sentido do olfato. São indiscutíveis no cão e no gato a excelência do faro na conduta dos dois. Usa-se essa característica dos caninos e felinos na perseguição de ratos, nas buscas policiais e nos sinistros para resgate de coisas e pessoas desaparecidas. No particular dos gatos, chama a nossa atenção o recente noticiário, vindo de Nova York, a respeito do gorducho Oscar; com seus alongados bigodes, êle passeia pelos corredores do hospital em que vive como hóspede desde seu nascimento há dois anos. Não é comum gato dentro de hospital para gente mas também não é comum gato fazer diagnóstico de iminência de morte nos pacientes. Pois bem, com o felino de 7 quilos bem pesados, acontecem as duas coisas: êle come e dorme no hospital e, com ares de doutor, penetra no quarto de paciente que, eventualmente, esteja prestes a morrer; os médicos dizem que o Oscar não erra no prognóstico fatal; do quarto onde êle entra, vai sair depois de um ou dois dias, um cadáver. Do currículo de previsão de óbito do Oscar constam 25 pessoas falecidas. No relato existente em recente edição da revista cientifica "The New England Journal of Medicine", o Dr. David Dosa informa que, quando o gato muda sua rota dos longos corredores da clínica e entra em algum quarto, logo em seguida o paciente falece. Pensou-se em poderes sobrenaturais. A professora de saúde comunitária Dra. Joan Teno, da Universidade Brown (EUA), disse que o gato sempre aparece nas últimas horas de vida do paciente; parece que o bichano adivinha; ela acrescenta que talvez exista uma explicação química para o fato. E existe mesmo. Na verdade, os médicos clínicos, com longa experiência, poderão perceber no cheiro de certos doentes, a probabilidade de morte próxima; a fórmula dos humores do paciente perto do desenlace é capaz de produzir transformações no esquema neuroendócrino com emanações odoríferas diferentes do normal, dando a indicação de paciente terminal. Nós, os humanos, que temos o rinencéfalo atrofiado, conseguimos algum gráu de previsão ao nos acercar do paciente; o gato, que tem um rinencéfalo muito mais perto do rinencéfalo primitivo, terá, certamente, uma capacidade superior de sentir diferença no cheiro do paciente, captando, mesmo a certa distância, a diferença de odor de um dia para o outro. Curioso, o Oscar entra no quarto onde está o paciente com cheiro diferenciado; a morte do paciente ocorre naturalmente sem que o gato tenha qualquer culpa nem da morte nem de ser estrela numa revista médica de grandeza mundial. Wilson Ayres Côrtes médico psiquiatra CRM-SP 7629
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